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Entre o dia 14 e 19 de Maio teve lugar a décima quinta edição do Salão Internacional da Construção CONSTRUMAT 2007, com grande êxito de afluência e na qual se bateu o recorde de assistência face a anos anteriores.
Dentro do espaço de arquitectura sustentável de Construmat, exibiu-se o protótipo R4house (Reutiliza-recupera-Recicla-Raciocina): as duas primeiras habitações bioclimáticas do mundo realizadas com materiais reciclados, reutilizados e recuperados (resíduos).
Como patrocinador do protótipo, a Vitro esteve presente durante toda a feira aüoiando o projecto e facilitando informação sobre os seus produtos a todos aqueles que quiseram esclarecer dúvidas com respeito ao vidro.
O projecto R4house foi visitado por um grande número de pessoas e resultou um sucesso a nível mediático, tendo o seu auge na 3ª-feira, dia 15 com a apresentação da casa em primeira mão para a imprensa através do seu criador, o arquitecto Luis de Garrido, e a Ministra de Meio Ambiente, Dona Cristina Narbona, que declarou: "iniciativas como este tipo de construções criam a sensação de que a introdução das novas tecnologias consolida-se em Espanha e é mais uma amostra do que Espanha pode fazer para reduzir a poluição. Nesta conferência de imprensa o mesmo arquitecto apresentou o seu primeiro livro, no qual realiza um profundo estudo do projecto R4house e no qual se enumeram os indicadores e estratégias construtivas para conseguir uma arquitectura sustentável.
O projecto R4house foi apresentado com o apoio da Associação Nacional de Arquitectura Sustentável (ANAS), da Associação Nacional para a Casa do Futuro (ANAVIF) e do Directório Nacional de Empresas para a Arquitectura Sustentável (DINAS).
O responsável do design deste protótipo é o arquitecto Luis de Garrido, um dos máximos representantes da arquitectura sustentável em Espanha. Luis de Garrido tem trabalhado noutros protótipos de arquitectura sustentável como a VitroHouse, habitação realizada inteiramente em vidro e apresentada na anterior edição da Construmat, na que Vitro também participou fornecendo os 500 m2 de vidro necessários para a sua construção.
As duas casas projectadas constituem um referente internacional no que diz respeito à arquitectura sustentável, já que cumprem de forma exaustiva todos os indicadores conhecidos deste tipo de arquitectura. Além disso, estas habitações contam com um atractivo adicional; são casas muito económicas. A construção da moradia de 150 m2 supõe um custo de 60.000 euros e o custo da vivenda mínima de 30 m2 é de 12.000 euros.
R4house constitui um modelo de casa bio-climática. Graças o seu design arquitectónico, a casa tem um perfeito comportamento bio-climático uma vez que o gasto em climatização é quase nulo (as casas não necessitam ar acondicionado e apenas consomem aquecimento). A eficiência energética atingida nestas moradias é muito importante e foi conseguida graças à sua perfeita orientação, a sua tipologia arquitectónica, a incorporação de duplas camadas com câmaras ventiladas, isolamentos ecológicos e rótulas de controlo solar, junto a vidros estruturais com serigrafia especial, um sistema de distribuição de ar fresco por captador de ventos e falsos chãos. Todo isso coroado pelo uso de energias renováveis.
Praticamente não se tem gerado nenhum resíduo na construção das duas casas. Todos os materiais entregues na obra, foram utilizado por completo, dum modo ou outro e em diferentes locais, até ao mais pequeno fragmento.
Todos os componentes das vivendas foram desenhados de forma modular para serem juntas a seco, pelo que apenas foram gerado resíduos na sua construção. Na desmontagem também não se geraram resíduos, uma vez que todas as peças, ao serem modulares, se poderão reutilizar novamente.
A estrutura portadora das vivendas foi realizado com o uso de 6 contentores de porto, o qual proporciona ao protótipo a flexibilidade, a reutilizabilidade e o baixíssimo custo, o qual não se poderia alcançar de outra forma.
As moradias são um exemplo de como na arquitectura pode fazer uso de materiais reciclados, materiais reutilizados e materiais recuperados.
Donde vem o nome de R4House?
O nome do protótipo mostra o que se pretende conseguir com o mesmo. R4House significa que para o design do conjunto das vivendas foram tido em conta o 4 “erres”, definidos por Luis de Garrido, e que sem dúvida converter-se-ão num símbolo da arquitectura sustentável.
Recicla
As vivendas estão realizadas em parte com materiais reciclados e recicláveis. Quer dizer, com materiais que se obtiveram a partir de materiais já existentes (e cuja estructura física, química ou mecânica foi modificada mediante um processo industrial). Deste modo, foram eleitas as empresas que fabricam alguns dos produtos mais ecológicos do sector da construção. Com certeza, os materiais eleitos poderão reciclar-se novamente, tantas vezes como se quiser, uma vez ultrapassado o seu ciclo de vida útil nas construções.
Recupera
Parte dos materiais utilizados nas casas são reciclados, quer dizer, foram utilizados materiais que em princípio foram descartados pela sociedade: alguns são resíduos industriais e outros urbanos. Do mesmo modo, nos protótipos vemos materiais recuperados mediante um processo industrial (quer dizer, produtos que a indústria elabora a partir de resíduos), e outros recuperados de forma profissional (ou seja, objectos elaborados de forma singular por designers à base de resíduos). Deste modo, a construção em lugar de ser uma acção negativa para o meio ambiente, passa a ser positiva, já que o regenera.
Reutiliza
Alguns materiais dos protótipos tiveram um uso anterior, e que voltaram a ser reutilizados, o que diminui ao máximo a energia utilizada na sua construção e evita os resíduos gerados.
È preciso frisar que as duas vivendas foram construídas de tal forma que todos os seus materiais se podem reutilizar completamente. Deste maneira, os materiais se podem renovar e utilizar noutras construções, sem produzir resíduos e com o mínimo consumo energético possível.
Raciocina
Sem dúvida a componente mais importante das quatro. O sector da construção é o de maior inércia de todos os sectores produtores de riqueza existentes na nossa sociedade. E a sustentabilidade se necessita de algo para poder estabelecer-se como alternativa, é de um processo exaustivo de raciocínio que a fundamente.
A arquitectura sustentável obriga-nos a repensar todo o processo de design, construção e gestão de um prédio visando diminuir o seu impacto negativo no meio ambiente. Por isso, todas as acções que se hão de estabelecer como alternativa, devem encaminhar-se com o fim de:
R4house representa uma provocação que permitirá fomentar uma frente de diálogo, pensamento e crítica, com o fim de colaborar na melhoria do sector da construção em Espanha.
A Vitro foi a empresa encarregue do fornecimento do vidro necessário no protótipo R4house.
De igual maneira que no edifício, tentou-se realizar um exercício extremo de sustentabilidade no design de protótipos de mobiliário. Estes protótipos foram construídos sem utilizar nenhum tipo de cola, cravos, parafusos, simplesmente foram juntas a seco. Deste modo ganha-se o máximo grau de reutilização, reparação e recuperação dos seus componentes, sem gerar resíduos. Foi utilizado todo tipo de painéis recortados, de tal modo que podem juntar-se entre si, de forma rápida e simples. Por isto, os móveis resultantes podem desunir-se em questão de segundos. Para ilustrar a idéia foram empregues diferentes tipos de painéis como vidro plano. A Vitro forneceu as peças de vidro necessárias para a montagem de vários elementos do mobiliário como camas, cadeiras, mesas, estantes…
Além do mobiliário, os usos do vidro foram muito variados: vidro laminados para o chão ou acristalamentos para os que se utilizaram diferentes tipologias e versões de duplo vidro:
Ao longo da Feira foram levado a cabo diferentes actividades entre as que destacamos duas conferências nas que a Vitro interveio activamente.